Cepal: catástrofes demandam nova estratégia na América Central

17/12/2011 06:42

As mudanças climáticas exigem da América Central o desafio de adotar novas estratégias diante dos desastres naturais que gera, advertiu nesta sexta-feira, em San Salvador, a Comissão Econômica para a América Latina (Cepal). "Estamos vendo que os desastres estão tendo um efeito multiplicador, intensificador e amplificador, associado ao processo de mudanças climáticas e, portanto, se exige uma nova visão e uma nova estratégia", declarou o especialista da Cepal, Ricardo Zapata, no âmbito de um encontro regional.

As novas estratégias, segundo o especialista, passam por fazer uma "gestão integral" dos riscos. Mais cedo, presidentes da América Central pediram ajuda à comunidade internacional para enfrentar a vulnerabilidade da região às mudanças no clima e para a reconstrução das infraestruturas danificadas após as fortes chuvas de outubro.

Presidentes e delegados de governos da região apresentaram o pedido na abertura de um encontro em San Salvador, capital salvadorenha, com um grupo de cerca de 50 países colaboradores, entidades financeiras e agências de cooperação. "Precisamos não só de cooperação financeira, mas colaboração técnica e tecnológica que nos ajude a realizar com sucesso nossos trabalhos de reconstrução", afirmou o presidente salvadorenho, Mauricio Funes, ao abrir a reunião.

O chefe de Estado lembrou que fenômenos climáticos destrutivos castigam com frequência cada vez maior a América Central e garantiu que isto é um efeito direto das mudanças climáticas. Segundo dados da comissão, as chuvas de outubro deixaram danos estimados em cerca de US$ 2 bilhões.

"As mudanças climáticas não são algo passageiro e pode ser que, em algumas regiões, seja uma especulação, mas a verdade é que no nosso caso, há tempos já são parte da nossa realidade cotidiana", acrescentou Funes.

O presidente salvadorenho advertiu que os trabalhos de reconstrução devem se concentrar em uma visão "preventiva", levando em conta que fenômenos como as chuvas são mais fortes.

Participam da reunião do chamado Grupo Consultivo, além de Funes, os presidentes Porfirio Lobo (Honduras) e Alvaro Colom (Guatemala), que chegou acompanhado do presidente eleito do país, Otto Pérez. A presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, enviou um representante, enquanto o governante nicaraguense, Daniel Ortega, ainda não havia chegado.

AFP