Cientistas treinam para enfrentar o interior antártico

19/11/2011 09:54

Cientistas brasileiros e chilenos realizaram um treinamento de deslocamento, resgate e auto-resgate em áreas de fendas na superfície da Geleira Grey, no Campo de Gelo Patagônico Sul, para enfrentar o interior da Antártida. A expedição, realizada na semana passada, foi organizada pelo Laboratório de Monitoramento da Criosfera (LaCrio) do Instituto de Ciências Humanas e da Informação da Universidade Federal do Rio Grande (ICHI/Furg), sendo a primeira expedição glaciológica da instituição.

O treinamento foi ministrado na superfície da Geleira Grey pelo guia de montanha chileno Ivo Kusanovic para preparar os pesquisadores para o trabalho na Geleira Union (Ellsworth Mountains) nos meses de dezembro e janeiro próximos, durante a Expedição Criosfera ao interior da Antártica, organizada pelo professor Jefferson Simões, diretor do Centro Polar e Climático da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

Segundo o professor Jorge Arigony-Neto, um dos coordenadores da expedição, o trabalho teve como objetivo, além do treinamento, a obtenção de verdade de campo (verificação no local) para validar informações obtidas com o processamento de imagens do radar satelital Cosmo-SkyMed da Agência Espacial Italiana (ASI). "Uma campanha de aquisição de imagens desse sensor foi programada com a ASI para começar na semana da Expedição Glaciológica à Geleira Grey e encerrar em maio de 2012, quando deverá ser realizada uma segunda expedição a essa geleira", conta.

Com esta expedição glaciológica foi possível ainda desenvolver uma logística para a realização de expedições científicas para essa região da Patagônia e iniciar um programa conjunto de treinamento de estudantes em métodos glaciológicos de investigação de campo.

Estudos na Grey
Os estudos glaciológicos desenvolvidos durante a expedição se concentraram na realização de medidas da velocidade de fluxo da Geleira Grey com o uso de equipamentos GPS de alta precisão e na identificação de diferentes tipos de gelo e feições de derretimento na superfície da geleira. "Esses dados serão usados para calibrar métodos computacionais, tanto para estimar a velocidade do fluxo de geleiras a partir de pares subsequentes de imagens de satélite, quanto para a identificação automática de diferentes tipos de gelo e feições de derretimento em imagens do radar satelital Cosmo-SkyMed, permitindo o uso dos métodos desenvolvidos para a investigação da dinâmica dessa e de outras geleiras da Patagônia e da Antártica", explica Arignoy.

De acordo com o professor, a análise de uma série de imagens de radar adquiridas na primavera-verão 2011/2012 permitirá uma contribuição ao conhecimento da dinâmica de fluxo da Geleira Grey durante a estação de ablação (derretimento).