Clima extremo pode prejudicar abastecimento alimentar

29/11/2011 06:38

DA EFE

DA EFE

A ONG Oxfam alertou nesta segunda-feira para o aumento da insegurança alimentar no mundo devido aos fenômenos meteorológicos extremos que podem estar relacionados à mudança climática.

A Oxfam fez a advertência em um estudo apresentado nesta segunda-feira em Durban, na África do Sul, na abertura da cúpula da ONU, a COP-17 (17ª Conferência das Partes da Convenção do Clima das Nações Unidas), que termina em 9 de dezembro.

Em comunicado, a ONG ressaltou que vários fenômenos meteorológicos extremos contribuíram para a insegurança alimentar em escala global, regional e local desde 2010.

O aumento progressivo da frequência e a severidade destes episódios, segundo a nota, "vão agravar o impacto da mudança climática nas colheitas e nos preços dos alimentos, provocando a escassez de comida, desestabilizando os mercados e precipitando a alta dos preços".

O estudo cita como exemplos a seca no Chifre da África, que causou a maior crise humanitária das últimas décadas, os tufões do Sudeste Asiático, no Vietnã e Tailândia, assim como os incêndios em Rússia e Ucrânia.

Durante estes incidentes, de acordo com a Oxfam, os preços dos alimentos, especialmente de cereais como trigo e o arroz, aumentaram entre 60% e 80%, e chegaram a 393% no caso das plantações de sorgo na Somália.

A ONG reconheceu que é difícil relacionar estes desastres naturais com a mudança climática, mas assegurou que, de acordo com o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), da ONU, os fenômenos extremos devem aumentar em frequência e intensidade se não forem tomadas as medidas necessárias.

A organização destacou o impacto desses desastres nas populações mais pobres, que gastam cerca de 75% de sua renda em comida.

Essas pessoas "devem lidar com a alta dos preços dos alimentos ao mesmo tempo em que enfrentam a destruição de seus lares e meios de subsistência", afirmou a diretora global da ONG, Kelly Dent.

A Oxfam convocou os negociadores de Durban a se comprometer com a renovação do Protocolo de Kyoto, único acordo juridicamente vinculado adotado em 1997 que fixa objetivos para reduzir a emissão de gases causadores do aquecimento global.