FMI afirma que nova recessão criaria outros 23 milhões de pobres

16/11/2011 19:00

 

Washington, 14 nov (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou nesta segunda-feira que outras 23 milhões de pessoas poderiam ficar abaixo da linha da pobreza se a recessão se instalar nos países avançados e produzir uma desaceleração mundial de 1,3 a 1,6 pontos no Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2011 e 2012.

Segundo os modelos desenvolvidos pelos economistas do FMI, revelados hoje em um estudo, cerca de "23 milhões de pessoas poderiam passar a viver abaixo da linha da pobreza, especialmente na Ásia e na África Subsaariana".

A linha de pobreza está definida pelo Banco Mundial (BM) como viver com menos de US$ 1,25 por pessoa ao dia.

"Existem severos riscos em baixa para as previsões atuais, às quais são altamente vulneráveis os países de baixa receita", acrescentou o relatório.

"A margem fiscal destes países é muito mais limitada e estão em uma situação mais débil para enfrentar choques externos antes da crise", comentou o estudo do FMI.

Por isso, o organismo internacional recomendou às autoridades destes países utilizar de maneira "mais ativa" as políticas monetárias e de taxa de câmbio, e um "maior reajuste das políticas macroeconômicas".

Esta desaceleração implicaria em um crescimento de 2,6% e 2,4% em nível mundial para 2011 e 2012, contra 3,9% e 4%, respectivamente, previsto pelo Fundo em setembro.

Os países de baixa receita se veriam afetados principalmente através de uma "redução da demanda de suas exportações, queda dos fluxos de investimento e das remessas, abaixo da tendência atual".

Além disso, em outro modelo de estudo, o FMI analisa os cenários possíveis perante uma nova alta dos preços dos alimentos e das matérias-primas nestas regiões.

Um aumento de 25% nos preços dos alimentos e 21% no do petróleo em 2011 afetaria principalmente à estabilidade de preços e seria muito mais assimétrico, o que ampliaria a brecha entre ricos e pobres dentro dos próprios países.

De acordo com o FMI, baseado neste palco de aumento de preços, cerca de 31 milhões de pessoas passaria a viver abaixo da linha de pobreza.

Para enfrentar esta situação, o organismo dirigido por Christine Lagarde aconselhou um fortalecimento dos amortecedores fiscais através de um ajuste, e o emprego de subvenções dirigidas aos setores mais desfavorecidos.

O Fundo assegura, no entanto, que o cenário de arrefecimento global da economia é mais plausível que o de nova subida dos preços das matérias-primas.

O BM estima que existem 1,2 bilhões de pessoas no mundo vivem abaixo da linha da pobreza.