Mudanças climáticas ameaçam o Himalaia

22/11/2011 06:48

22 de novembro de 2011 06h04

 

Chuvas erráticas, geleiras que se derretem e uma biodiversidade ameaçada são os sintomas da mudança climática na cordilheira do Himalaia, enquanto os governos da região se esforçam para encontrar soluções o mais rápido possível.

Um exemplo da necessidade de cooperar é a Cúpula do Clima pela Vida do Himalaia, que ocorreu neste último fim de semana no Butão com a participação também de dirigentes da Índia, Bangladesh e Nepal, para elaborar estratégias de adaptação à mudança climática.

Os especialistas constatam que a quantidade de neve na cordilheira diminuiu e que o aumento das temperaturas está derretendo as geleiras, o que terá efeitos sobre o nível dos rios que nascem nela.

Também correm perigo a fauna e a flora dessas montanhas que percorrem o norte da Índia e atravessam Nepal e Butão, consideradas pela organização WWF uma das áreas de maior biodiversidade do mundo.

"Existe um impacto acelerado de um planeta cada vez mais quente, pressões da crescente população humana sobre seus recursos e uma extração insustentável de produtos florestais", denuncia a WWF.

Nos montes do Himalaia, foi documentada a presença de 10 mil espécies de plantas, 977 aves, 300 mamíferos, 269 peixes de água doce, 176 répteis e 195 anfíbios. Além disso, alguns grandes animais selvagens, como elefantes, tigres e rinocerontes costumam passar inadvertidamente de um país para o outro, motivo pelo qual os ambientalistas reivindicam uma ação além das fronteiras.

"Precisamos que as florestas estejam conectadas para proteger a biodiversidade", disse o organizador da Cúpula, Nwang Norbu, em uma videoconferência transmitida da capital do Butão para a imprensa em Katmandu.

Esta é a primeira vez que se discutem os problemas do Himalaia de maneira específica. Por isso, os organizadores da conferência depositam bastante esperança em relação a novas linhas de atuação.

Segundo Jayaram Adhikari, do Ministério do Meio Ambiente nepalês, ainda existem arestas organizacionais para serem aparadas, mas a conferência já se divide em quatro seções: biodiversidade, alimentação, segurança energética e gestão de água.

Este último assunto é o que desperta mais preocupação, pois os rios que nascem no Himalaia abastecem milhões de pessoas no subcontinente indiano, além de regar as plantações que os alimentam e lhes fornecem eletricidade.

"Trabalhamos para compartilhar informações sobre fluxos de água nos rios, assim como sobre a quantidade de chuva e temperatura. Há muito poucos dados científicos disponíveis para uma análise apropriada", explicou Adhikari.

O ciclo de chuvas em transformação gerou no passado efeitos devastadores em zonas da Índia e Bangladesh, onde se registraram inundações, e está tendo efeitos sobre a segurança alimentar dos habitantes.

Enquanto agora no Nepal chova mais do que antes, em alguns lugares do subcontinente onde a monção que chega sempre na mesma data, as chuvas vem com atraso. "Há lugares onde as casas costumavam ter telhados de palha. É preciso criar estratégias de adaptação, pois agora a chuva poderia arrasá-las", alertou Adhikari.

Segundo o organizador da Cúpula, a troca de tecnologia para criar cultivos resistentes à seca poderia ser uma forma de cooperação. No horizonte de colaboração aparecem também os intercâmbios energéticos e econômicos, porque a Índia importa energia hidrelétrica a partir do Butão e suas empresas iniciaram a construção de novas unidades no Nepal.

Contudo, isto ocorre em paralelo com o derretimento das geleiras e a formação de lagos que ameaçam, enquanto novas rachaduras ocorrem, povoados localizados em altitudes mais baixas.

"Os países não podem sozinhos diminuir os efeitos da mudança climática, precisamos cooperar porque isso reduzirá os custos e poderemos compartilhar conhecimento", disse à Agêcia Efe o porta-voz do ministério do Meio Ambiente do Nepal, Meena Khanal.

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